Dr-Marcos Villela Pedras

Especialista alerta pra importância da testagem pós-“Carnaval”, enquanto “não chega a vez na fila” da vacina

Criado por sallum

Categorias: Cursos, workshops e palestras

Clinica Villela Pedras
Rio de Janeiro
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Neste domingo (14) de Carnaval,  o Brasil registrou a maior média móvel de por mortes por Covid-19 de toda a pandemia, com um total de 1105 mortes por dia na última semana. Anteriormente a maio média era de 1097 mortes, com registro no dia 25/07, auge da primeira onda da doença no país.

E mesmo não tendo a festa do Carnaval, e não sendo dias consecutivos de feriado oficial, já puderam ser vistas aglomerações e festas clandestinas acontecendo em diferentes estados, contrariando as orientações dos infectologistas, preocupados com o aumento de casos da Covid-19 .

Além de festas clandestinas, as pessoas têm viajado para encontrar familiares ou se reunir com amigos, seja em casa, bares ou restaurantes. Em todas as situações, a exposição ao vírus pode estar presente, ainda mais se tratando de pessoas que não apresentam os sintomas.

Que tal uma entrevista com o Dr. Marcos Villela Pedras mostrando a importância da testagem depois desse período de “Carnaval”, ainda que sem grades aglomerações, para evitar a propagação do vírus? Até porque, boa parte desta população que está curtindo o “Carnaval” ainda está longe de chegar “sua vez na fila”. Temos personagens.

O especialista alerta que os testes não são um atestado de liberdade dos cuidados, mas sim uma forma de identificar os assintomáticos que são positivos e evitar o contágio entre amigos e familiares no período.

Ainda segundo o médico, o resultado negativo do teste de antígeno indica a ausência de carga viral no organismo, mas tem uma janela de 3 dias em que a pessoa pode estar contaminada e o teste não identificar. Entretanto, entende-se que neste momento a carga viral pode ser muito baixa para transmitir, quando na presença de cuidados de distanciamento e máscaras.

Segundo o médico, os testes mais procurados na clínica Villela Pedras são o Teste rápido, Teste do antígeno ( que  teve aumento), PCR e PCR express.

1 – Durante o Carnaval, foi possível observar que, mesmo que os desfiles tenham sido proibidos, assim como os blocos de rua, festas clandestinas aconteceram e aglomerações em bares da cidade, por exemplo. É possível que pós-Carnaval haja um aumento considerável do número de casos de pessoas contaminadas? É necessário o isolamento após esse período?

Pudemos observar no final do ano uma explosão do número de casos e pessoas interessadas em fazer o teste, para poderem se encontrar com familiares, muitos destes mais velhos, então houve uma comoção intrafamiliar para a realização destes testes.

No Carnaval, que é uma festa um pouco diferente, mesmo não oficialmente promulgada, houve muitos encontros clandestinos e grandes aglomerações de pessoas mais jovens, que tendem a se preocupar menos com a testagem, com os riscos. Pessoas que não estavam de máscaras, ou seja, as chances de ter contaminação é muito grande, estamos bastante preocupados com isso. Além disso, tem a questão da nova variante do vírus, vinda de Manaus, que já começou a ser notificada aqui no Rio de Janeiro e que tem uma transmissibilidade muito maior que a anterior. Esses dois fatores são muito preocupantes.

2 – Qual a importância da testagem na atual fase que estamos vivendo? É perigoso o contágio pelo simples fato de estar em contato com alguém do trabalho ou em outro ambiente comum, como transporte público?

A maior vantagem da testagem é identificar as pessoas que são assintomáticas, que são carreadoras do vírus para pessoas de grupo risco que podem manifestar sintomas graves, enquanto elas mesmas não estão. Então a testagem consegue identificar esses pacientes assintomáticos.

Os sintomáticos, obviamente, irão procurar locais para poder diagnosticar se estão com o vírus ou não, entretanto, os assintomáticos, que acham que não estão com o vírus, participam de aglomerações, podendo transmitir para diversas outras pessoas neste momento.

3 – Então se o indivíduo não apresenta os sintomas clássicos da doença, como tosse seca, febre e dores no corpo, o que deve ser feito e qual a periodicidade para a realização da testagem?

Embora não haja um período pré-determinado de prazo entre os exames, o que se estimula é a não aglomeração, entretanto, caso isso não seja possível, a testagem pré ou até mesmo pós aglomeração ou na evidência de algum casso suspeito, durante aquele momento que teve uma pequena reunião com outras pessoas, o interessante é que se faça testagem, pré e pós esses exemplos de aglomeração, mesmo que em pequenas reuniões.

Não há um tempo mínimo recomendado. Entretanto, sempre que possa ocorrer esse tipo de evento, recomenda-se essa testagem pré e pós, em todos os participantes – independente de casos sintomáticos ou não.

4 – Houve um aumento da procura por testes para detectar a presença do coronavírus nos agora no Carnaval, para evitar a proliferação rápida em familiares e amigos mais próximos?

Notamos no nosso drive-thru da clínica Villela Pedras, no shopping Downtown, um aumento de 40% em relação à semana pré-Carnaval, o que é bastante preocupante. Ainda não estamos no nível de testes do final do ano, mas infelizmente, acredita-se que esse volume irá aumentar em quantidade igual ao resultado do final do ano.

5 – Qual o perfil das pessoas que mais procuram a testagem?

Temos três públicos bem distintos que procuram nosso drive-thru: primeiro, quem quer viajar para o exterior (a maioria a trabalho e é obrigatório fazer o PCR até 3 dias antes de viajar); o segundo grupo são pessoas sintomáticas, que acham que podem estar com uma sinusite ou uma rinite, mas no momento não pode se considerar isso, a partir do segundo ou terceiro dia é recomendável fazer o exame (teste do antígeno ou PCR) e o terceiro grupo é formado por pessoas assintomáticas, que desejam encontrar familiares mais idosos, que estão numa quarentena mais rigorosa e que são do grupo de risco (realizam o teste pré e pós encontro).

Sobre o especialista :

Dr. Marcos Villela Pedras Polonia, médico pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, especialista em Medicina Nuclear pelo Colégio Brasileiro de Radiologia e Membro da Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear.

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