O empreendedor e o plano de negócios

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Culturalmente, nós, brasileiros, agimos e, quando dá errado, resolvemos planejar. Nisso há um pequeno problema de confusão entre causa e efeito e entre a relação temporal entre uma coisa e a outra. Quando dá errado, aliás, a culpa é do governo, do presidente, da pandemia, de todos, mas esquecem que a responsabilidade de uma empresa é sempre do dono da empresa. Sempre.

 

A diferença entre culpa e responsabilidade nem sempre é óbvia, mas uma tem uma carga, um peso, um quê de castigo rumo à redenção, que nunca chega. É quase uma posição de vítima, que não leva a lugar nenhum. A responsabilidade é a maturidade de receber situações positivas e negativas sempre com a abertura de um aprendiz. Assumir suas falhas, suas conquistas e ter a força para recomeçar, pois a única coisa certa no empreendedorismo é que há altos e baixos e que os baixos são bem baixos mesmo. São duros. 

A única forma de amenizar os baixos é começar com um plano, com objetivos e metas e sabendo, dentro do próprio coração, o porquê de estar fazendo aquilo e não outra coisa. Tudo isso tem de estar contemplado por escrito no Plano de Negócios. O empreendedor precisa conhecer profundamente seu público, seu produto, seus porquês. Vou sempre bater na tecla dos porquês, pois, nos baixos são somente eles que nos seguram em pé, que nos fazem levantar da cama nos melhores momentos. 

Dois pontos mais sensíveis e que esquecemos – ou deliberadamente deixamos de lado – são a Análise de Mercado e o Plano Financeiro. São informações difíceis de coletar sem estar, de fato, “no jogo”, por isso temos o hábito de deixar essa parte de lado. Mas é a parte mais importante, por ser o lado mais fraco e o conhecimento mais difícil de um técnico ter. Estamos considerando aqui que todo empreendedor é um técnico, já que um administrador, quando empreende, e normalmente o faz na área de consultoria. Mas o operacional e o técnico tem essa grande dificuldade e não acha que precisa estudar esse assunto. A pandemia veio como uma tempestade para nos tirar da zona de conforto e nos mostrar que seis meses de fundo de reserva talvez não fossem suficientes para superar uma crise mundial dessas proporções. 

Assim como o Financeiro, o Marketing e as Vendas, as Estratégias são planos que devem estar no papel, com um passo a passo, para que o mínimo saia dos trilhos. Para isso, uma parte importante é o planejamento da Gestão dos Riscos. Com esse documento, tentamos prever tudo o que pode dar errado e montamos um plano de contingência para que possamos seguir à risca sem deixar o desespero e o coração atrapalhar nossas ações. 

Um plano é a nossa única arma para tentar nos proteger dos períodos de crise, dos momentos de insegurança, e é a única forma de nos sentirmos mais seguros e com os pés no chão. Precisamos pensar nos planos e levar um tempo neles, pesquisar. Podemos ter a impressão de que não temos de perder tempo nisso, mas o retrabalho é muito mais custoso em termos de tempo e de dinheiro. Não vale a pena. 

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Isabella Fortunatto

Isabella Fortunatto

Isabella é formada em Letras, tradutora pública e tinha tudo para ter seguido a carreira de professora universitária. Mas algo dentro disse que ela tinha que empreender! O risco, a adrenalina, a vontade de dar emprego para quem precisa e ensinar novas profissões fizeram com que resolvesse abrir 4 empresas: uma de Tradução, uma de Logística voltada para a área de Moda, um Coworking e uma Escola de Negócios e Alta Performance, a Fortune Treinamentos.
09-05-2021 |

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