Neuroplasticidade

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Que o cérebro é capaz de coordenar quase todas as ações do ser humano, todos sabem. O que talvez não seja tão conhecido é o tamanho da capacidade de se desenvolver e se aprimorar que esse órgão possui. A ciência, cada vez mais, vem mostrando que essa habilidade está mais presente do que se imaginava.

A neuroplasticidade, por exemplo, é um exemplo da incrível capacidade que cérebro possui para se remodelar. Com essa ação, descobriu-se que ele pode se adaptar e ativar conexões neurais desativadas. Cientistas descobriram que, depois de uma lesão cerebral, outras estruturas do cérebro assumiam a função da área afetada. Porém, ainda acreditava-se que os neurônios (células do sistema nervoso) existiam em um número fixo durante toda vida – que isso condicionaria o cérebro a ser o mesmo por toda a vida. Entretanto, pesquisadores norte-americanos provaram que os neurônios com os quais nascemos não são os únicos que teremos por toda a existência. Mesmo durante a fase adulta, as células cerebrais são produzidas continuamente. A ideia de um cérebro inativo mudou para uma perspectiva de dinamismo, plasticidade e renovação. E essa nova concepção abriu uma janela de oportunidades.

Essa novo “olhar” significou novas possibilidades em que o cérebro, quando estimulado, poderia ser emoldurado, de acordo como cada indivíduo quisesse. A reorganização funcional do encéfalo acontece sempre que há uma mudança. Aprender a usar um computador com sistema operacional diferente do habitual é um exemplo dessa plasticidade. Se o cérebro muda à medida que investimos no aprender, então, em termos fisiológicos, a neuroplasticidade entende de circuitos e redes neurais flexíveis, que podem se reorganizar criando novas conexões e caminhos neurais.

Vamos tentar entender um pouco mais sobre esse fenômeno: a neuroplasticidade está relacionada à capacidade que o sistema nervoso central possui de modificar suas propriedades em resposta às experiências do indivíduo. Neuroplasticidade acontece, basicamente, em dois casos: após lesões cerebrais ou em resposta a um estímulo externo, como aprender a tocar algum instrumento musical, por exemplo.

No caso de lesões, provado por pesquisas científicas, o cérebro é capaz de se adaptar após sofrer determinados traumas. Essa é chamada plasticidade regenerativa, o que possibilita a recuperação gradual em pessoas que sofrem acidentes com perda de massa encefálica. Embora existam limitações, as células saudáveis vizinhas às afetadas podem assumir parte da função dos neurônios danificados. No entanto, a recuperação de uma função através da plasticidade depende de fatores como idade, local da lesão e a função correspondente, além do atendimento prestado ao paciente.

Já a plasticidade relacionada à aprendizagem – sináptica – ocorre durante toda a vida da pessoa. Durante as etapas do desenvolvimento, o sistema nervoso é mais suscetível às transformações. Na fase adulta, essa capacidade diminui ou se modifica à medida que

envelhecemos, mas não desaparece. O ápice do desenvolvimento neural se dá na primeira infância. Mas isso não significa que, após certa fase, você não possa mais adquirir determinados conhecimentos. Mesmo com o declínio cognitivo neural, causado pelo envelhecimento do cérebro, novas habilidades podem ser estimuladas sempre. Atualmente, sabemos que é possível desenvolver aptidões, estimular a memória e aprender novos conhecimentos em quase todas as épocas da vida.

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Regina M. Gonçalves

Regina M. Gonçalves é neuropedagoga.

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22-12-2020 |

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