DÍVIDAS E O SETEMBRO AMARELO

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Um dos grandes focos do meu trabalho se concentra na defesa do direito de pessoas e empresas endividadas ou superendividadas. Neste universo, não bastasse o desespero de enfrentar a dramática situação de não conseguir pagar suas contas, o endividado sofre uma verdadeira tortura psicológica provocada pelo método abusivo e ilegal que diversas empresas contratadas para recuperar créditos praticam no exercício de sua função. O limite entre o desespero por não conseguir pagar suas contas e o pensamento suicida é tênue. Um impressionante estudo realizado pela Unicamp apontou que 17% dos brasileiros, já pensaram acabar com a própria vida e, neste grupo, 4,8% chegaram mesmo planejar este ato. Em especial neste mês, é visível a importância de divulgar o movimento que ficou conhecido como Setembro Amarelo.

Para aqueles que desconhecem sua origem, o Setembro Amarelo começou nos EUA quando o jovem Mike Emme, de 17 anos, cometeu suicídio, em 1994. Mike havia restaurado um automóvel, Mustang 68, e o pintou de amarelo. No dia do velório, seus amigos confeccionaram uma cesta com muitos cartões decorados com fitas amarelas contendo a mensagem “se você precisar, peça ajuda”. Essa iniciativa lançou o movimento de prevenção ao suicídio.
O objetivo é chamar a atenção para os primeiros sinais deste desejo de tirar a própria vida, que se apresenta, muitas vezes, de modo silencioso e imperceptível. Portanto, a atenção de amigos e familiares pode salvar vidas.

O endividamento provoca um grande sofrimento e o passo seguinte é a depressão. Muitos endividados, e falo com base em minha experiência no atendimento a esse público há mais de duas décadas, acreditam no suicídio como solução. Explico sempre que dívida, como todo problema, pode ser resolvido, ainda que não existam recursos financeiros no momento. O que importa é saber que o endividamento nada mais é do que uma fase, que pode e deve ser superada.

O suicídio não interrompe o problema, pois a indústria da cobrança não se sensibiliza, passa a direcionar sua malsinada prática impiedosamente aos familiares do falecido.
Segundo dados oficiais, quase 70% de nossa população economicamente ativa está endividada. São milhões de famílias enfrentando esta situação. O suicídio é um pensamento corrente para os endividados, portanto, precisamos estar atentos. A mensagem do jovem Mike não pode ser esquecida.

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Ronaldo Gotlib

Ronaldo Gotlib

Ronaldo Gotlib é advogado e fundador da Gotlib Advogados associados, escritório com mais de 20 anos de atuação. O profissional, que atua no Planejamento e Proteção Jurídica de Patrimônio, além de Direito Imobiliário, Empresarial e do Consumidor, é também coordenador dos departamentos de Financiamento Habitacional e Empreendedorismo Jurídico da Associação de Advogados do Mercado Imobiliário. Gotlib é autor de dezessete livros que envolvem temas do Direito, Empreendedorismo e Motivação. O advogado ainda é palestrante e consultor graças à sua atuação, há mais de duas décadas, na defesa de direitos de pessoas físicas e jurídicas para a superação de questões acerca de endividamento e recuperação da saúde financeira. Seu currículo é extenso e envolve apresentação de programa de rádio relacionado à área, atuação como professor convidado e membro de comissões de órgãos envolvidos com o ramo de interesse. Para saber mais sobre o especialista, seus livros e sua carreira, basta acessar o site: https://ronaldogotlib.com.br/
21-09-2020 |

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