COMO TER PERNAS BONITAS E SAUDÁVEIS O ANO INTEIRO

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Toda mulher quer ter as pernas bonitas – sem vasinhos e varizes – e para isso é preciso ter alguns cuidados. Ter uma alimentação equilibrada, beber bastante líquido, controlar o peso, sempre consultar um ginecologista antes de fazer uso de hormônios e evitar ter uma vida sedentária são algumas medidas. É importante  realizar  exercícios que fortaleçam a panturrilha para promover uma melhor circulação sanguínea e ao  menor sinal de cansaço nas pernas ou aparecimento de pequenos vasos, procurar um angiologista ou cirurgião vascular, que seja membro da Sociedade de Cirurgia Vascular do Rio de Janeiro para realizar um check-up vascular. O tratamento de varizes ou vasinhos, seja o de espuma, escleroterapia ou cirúrgico, deve ser feito por um profissional qualificado.

As mulheres com profissões que exigem que fique muito tempo em pé ou sentada devem ter uma atenção redobrada com a circulação.  De tempos em tempos, levantar e andar um pouco ajuda a estimular a circulação sanguínea e depois de um dia de trabalho, deitar-se com as pernas elevadas acima do nível do coração por alguns minutos, para favorecer o retorno venoso e o uso da meia elástica, quando recomendada pelo médico, pode diminuir as sensações provocadas pelos sintomas varicosos.  São medidas simples que fazem a diferença.

Outra dúvida frequente é quanto ao uso de salto alto. Com o tempo, ele realmente pode ocasionar vasinhos e  varizes, principalmente para quem já tem um histórico familiar, uma hereditariedade. Por que isso acontece?  A veia nada mais é  do que um conduto que vai transportar sangue dos membros inferiores até o coração. Esse conduto se dispõe contra a gravidade. Para que o sangue suba, ele precisa de uma contração muscular. Quanto mais eficiente seja essa contração mais ele vai conseguir subir. Mas quando a mulher usa um salto muito baixo ou um salto muito alto ela não consegue, ao caminhar, realizar essa contração de forma eficiente e a longo prazo vai levar a um problema circulatório e as varizes. A mulher que gosta de usar salto não vai parar de usar. Isso é fato. Em contrapartida o que podemos fazer? Sempre estimulo a paciente a realizar atividades físicas fortalecendo o músculo da panturrilha para que essa contração se torne mais efetiva e contrabalance o uso do salto alto.

Durante a gestação também é comum aparecem os vasinhos. Muitas vezes, eles somem um tempo após o parto, por isso a mulher deve avaliar. O importante é não fazer nenhum tratamento precocemente. Nem no período gestacional e nem logo após a gestação. Esperar até o 6o. mês após o nascimento do bebê, ver o que realmente ficou de vasinho e se ficou algo, realizar o tratamento mais adequado. Cuidar da alimentação nessa fase e tomar bastante líquido ajuda na prevenção. Se a gestante tem propensão a ter varizes, vai ter varizes. Durante a gestação alguns fatores ocorrem no organismo materno, como os hormônios que protegem a gestação que relaxam o tônus muscular que levam as varizes. Nós temos o aumento gradual do útero que leva a compressão de veias. Temos o aumento do volume sanguíneo já que o sangue vai percorrer a mamãe e o bebê levando a varizes. Mas nem tudo está perdido. Ao final da gestação as varizes podem regredir. Mas se já existe dor, inchaço e sensação de peso nas pernas é preciso fazer um diagnóstico.

Existem os tratamentos com laser e escleroterapia para vasinhos e varizes. Existe também o Clacs (crio laser e crio escleroterapia) que combina duas técnicas: a ação do laser com a criosescleroterapia. O uso do Clacs potencializa tanto o efeito da escleroterapia quanto do laser. A crioescleroterapia é uma escleroterapia que é realizada com um líquido a menos 40 graus. Ou seja, associando a ação do gelo (que é física) e uma ação química, leva a destruição do vaso varicoso e uma posterior absorção do mesmo. Já o laser, através da emissão de uma energia, também irá destruir a parede do vaso doente, levando a uma reação inflamatória e posterior desaparecimento das varizes. Quando conseguimos associar as duas técnicas, temos um efeito mais eficiente com doses menos agressivas ao organismo. A técnica pode ser indicada para qualquer paciente com varizes, respeitando as contraindicações. Ela pode ser utilizada em diversos tipos de veias como: veias capilares, que são mais fininhas e avermelhadas e veias arroxeadas, que são consideradas veias nutridoras e que tem o diâmetro um pouquinho maior, que normalmente seriam tratadas com cirurgia.

Pacientes que tenham alergia a qualquer tipo de líquido utilizado na escleroterapia não devem fazer o procedimento, assim como pacientes em estados infecciosos e imunodeprimidos e estados infecciosos ativos.

Cerca de 18% da população adulta têm varizes, mas elas podem aparecer em qualquer idade, mas é na faixa dos 30 anos, a fase mais comum. Por isso a importância de fazer um check-up vascular, para detectar o aparecimento de doenças, tanto no sistema venoso como no arterial.

O período mais indicado para fazer o tratamento de varizes é durante o outono-inverno porque é preciso certos cuidados, como evitar a exposição ao sol. É aplicado um medicamento na veia da paciente, que deixa um pequeno hematoma na pele que demora em média, uma semana para desaparecer. Se o hematoma ficar exposto ao sol, existe uma grande chance dessa mancha ficar para sempre na pele. Uma dica é nunca se esquecer de usar o protetor solar, mesmo que não haja exposição prolongada ao sol.

No verão não é contraindicado fazer o tratamento, mas como as pernas são mais expostas ao sol com o uso de saias e shorts, os cuidados teriam que ser redobrados para evitar as manchas.

O uso de meias elásticas não previne as varizes, ela melhora os sintomas: peso, cansaço, cãibras e dormência, mas se a paciente tiver muitas varizes, não adianta muito. Vale a pena usar por uma questão de sintomatologia.

Hoje existem vários tipos de cremes, os cremes tipo uma base eles suavizam, porque vão mostrar menos, eles camuflam as varizes, mas não tratam. Existem cremes hoje a base de substâncias mais especiais, tipo mentol, cânfora, que dão uma sensação de diminuição de cansaço, dão um frescor nas pernas, mas volto a dizer: cremes não tratam as varizes.

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Ricardo Brizzi

Ricardo Brizzi

Angiologista e Cirurgião Vascular. Fez residência médica em cirurgia vascular na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) no período de 1993 a 1996. Pós graduou-se em cirurgia endovascular em SP, trabalhou no serviço publico no Hospital Salgado Filho e no Hospital da Lagoa – setor de Hemodinâmica. É membro da Sociedade de Cirurgia Vascular do Rio de Janeiro. É um dos Responsáveis pelo setor de cirurgia vascular e endovascular do Hospital Badim, do Hospital Israelita e Hospital Norte D’Or e diretor da Clínica Varilaser.
11-08-2020 |

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