A FASE DO DESENVOLVIMENTO : DESAFIO DA INTELIGÊNCIA

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O ser humano interage com o mundo e, nesse processo, organiza mentalmente a realidade para entendê-la, desenvolvendo a inteligência. Essas formas de interação evoluem progressivamente conforme a faixa etária e as experiências individuais.

O desenvolvimento se dá em quatro períodos de acordo com Piaget: sensório-motor até os 2 anos, conhecendo o mundo através das percepções; pré-operatório dos 3 aos 7 anos; operatório-concreto, dos 8 aos 11 anos, através da capacidade de reflexão adquirindo autonomia para organizar os valores morais; operatório-formal, a partir dos 12 anos em diante, que é a passagem do pensamento concreto para o pensamento formal abstrato, com o conceito de liberdade, justiça e reflexão.

É importante que a criança tenha uma educação de qualidade que possibilite a fase de desenvolvimento e possa vivenciar, interagir e experimentar, ampliando o desenvolvimento de suas possibilidades cognitivas.

Segundo Wallon, a fase de desenvolvimento é redirecionada em cinco etapas: estágio impulsivo emocional, de 0 a 1 ano, com o início de movimentos que são estruturados e impulsivos, coordenação, estruturação e diálogo com o corpo; estágio sensório motor, de 1 a 3 anos, a partir da fala, do gesto e utilizando objetos para o desenvolvimento motor e cognitivo; estágio do personalismo, de 3 a 6 anos, através da interação de si mesmo com o outro há

a troca de experiências e imitações; estágio categorial, de 4 a 11 anos, em que a criança já entende individualidade e se sente segura para explorar o mundo físico com atividades de grupo, assimilando atividades com vários níveis de abstrações; estágio puberdade, a partir dos 11 anos, em que há a formação do caráter. Seu desenvolvimento motor, afetivo, intelectual estão prontos para novas transformações.

A construção do pensamento complexo e do abstrato é despertado e acentuado pela vida social, ressalta Vygotsky, pela constante comunicação que se estabelece entre a criança e o adulto, a qual permite a assimilação da experiência de muitas gerações.

A linguagem intervém no processo de desenvolvimento intelectual da criança desde o nascimento. A relação entre fala e pensamento modifica-se ao longo do desenvolvimento até por volta dos três anos. É comum a criança de dois anos agir e descrever o que faz, ao mesmo tempo. Observa-se que a fala começa a preceder o comportamento.

Há três teóricos principais que discutem a relação entre desenvolvimento e aprendizagem. O primeiro aponta o processo maturacional que ocorre antes da aprendizagem, criando condições para que esta se dê. O segundo entende a aprendizagem e o desenvolvimento como acúmulo de respostas aprendidas. Nessa concepção, o desenvolvimento ocorre simultaneamente à aprendizagem. O terceiro teórico vê o desenvolvimento e a aprendizagem como processos independentes que interagem, afetando-se mutuamente. Uma relação interdependente, cada um tornando o outro possível.

O especialista russo afirma que o indivíduo com parceiros mais experientes cria uma “zona de desenvolvimento proximal”. O termo usado se refere à distância entre o nível potencial de desenvolvimento medido através da solução de problemas sob a orientação ou em colaboração com as crianças mais experientes.

Para Vygotsky, o processo de desenvolvimento da criança nada mais é do que a apropriação ativa do conhecimento disponível na sociedade e na família que nasceu. O indivíduo vai formando a sua visão de mundo pela interação que faz com o outro.

O ser humano aprende ao longo de todo o ciclo de vida desde o nascimento, o que permite o seu desenvolvimento pessoal, profissional e social. Mas aprender não é um verbo passivo, já que a aprendizagem significa levar a conhecer, a agir e a compreender.

 

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Regina Marques

Regina Marques

Regina Marques Gonçalves é carioca, pedagoga, orientadora educacional em instituição escolar. Trabalha na área de educação a trinta e dois anos. Neuropedagoga, pós graduada em neurociência pela ( UCAM). Conhece os mecanismos do sistema nervoso central (SNC) e suas funções e conexões cerebrais na biologia do aprendizado do aluno. Especialista em (TEA) ou seja pós graduada em Transtorno do Espectro do Autismo pela (CENSUPERG). Ministra aula sobre a disciplina: Biologia cerebral e Autismo pelo Instituto Superior Sinapses (Polo RJ) Saquarema, Del Castilho e Mesquita no curso de pós graduação em Psicopedagogia e Neuropsicopedagogia. Pesquisadora independente da pedagogia de Waldorf e Saúde Mental. Orienta o Programa Educacional Individualizado em Instituição Escolar (PEI). São objetivos sociais, acadêmicos e comportamentais que precisam ser adaptados para o aluno.
23-09-2019 |

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