IMPACTO DO CELULAR NO AMBIENTE SOCIAL

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Já se sabe que existe um prejuízo considerável nas relações familiares e sociais no desenvolvimento da teoria da mente em crianças, levando a diferenças individuais perceptíveis. Por exemplo, crianças adquirem as habilidades da teoria da mente mais cedo se os seus pais utilizam mais frequentemente expressões que se referem a estados mentais ao se comunicar com elas.
De forma semelhante, a presença de irmãos mais velhos acelera o surgimento da apreciação de outras mentes. Além disso, acredita-se que a capacidade de intervir nos estados mentais de outros seja extremamente dependente da capacidade de introspecção.

A década atual tem sido marcada tanto pela expansão da variedade de mídias eletrônicas quanto pela expansão ao acesso a cada uma delas. É caracterizada também pelos almoços em família nos quais as pessoas trocam animadas conversas pela utilização de aparelhos eletrônicos.

Estes são usados também para comunicação por meio de mensagens instantâneas entre pais e filhos que se encontram em cômodos distintos da casa. Grupos de amigos que saem à noite para conversar permanecem de cabeça baixa, atentos ao que se observa na tela do celular.

O uso dos aparelhos eletrônicos tem se tornado uma das melhores formas de entreter crianças, que têm deixado de querer bicicletas, bolas ou bonecos e passado a desejar ansiosamente um celular para uso pessoal. Muitos pais admiram até mesmo a impressionante habilidade que os pequenos demonstram ao usar um smartphone ou mesmo um tablet. Mas toda essa alteração de comportamento teria algum impacto sobre o desenvolvimento das futuras gerações?

Já se sabe que a exposição abusiva a mídias eletrônicas tem influências negativas, tais como redução das horas de estudo, de sono e de atividade física. Porém, nosso interesse nesse momento é refletir sobre o potencial efeito dos eletrônicos sobre o desenvolvimento das habilidades associadas à teoria da mente.

Nos dias de hoje, vemos cada vez mais crianças usando eletrônicos na maior parte de seu tempo, em detrimento de interações sociais em tempo real, no “mundo real”. Nossa primeira preocupação é que, com isso, as oportunidades para ler as emoções e sentimentos do outro ou se colocar no lugar do outro estejam diminuindo à medida que as conversas olho no olho são substituídas por e-mail, post, mensagens… E a segunda preocupação é com a redução dos momentos sem interação.

Porém, não é tarde demais para refletir e, se for o caso, tomar providências, como não oferecer mídias eletrônicas a crianças menores em uso indiscriminado. Brincar de faz de conta, contar histórias é um bom começo. Sim, dá mais trabalho sentar no chão e brincar de faz de conta com seu filho do que ele se entreter sozinho no smartphone ou tablet, mas, afinal de contas, não são esses momentos que fazem todo o resto valer a pena?

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Regina Marques

Regina Marques

Regina Marques Gonçalves é carioca, pedagoga, orientadora educacional em instituição escolar. Trabalha na área de educação a trinta e dois anos. Neuropedagoga, pós graduada em neurociência pela ( UCAM). Conhece os mecanismos do sistema nervoso central (SNC) e suas funções e conexões cerebrais na biologia do aprendizado do aluno. Especialista em (TEA) ou seja pós graduada em Transtorno do Espectro do Autismo pela (CENSUPERG). Ministra aula sobre a disciplina: Biologia cerebral e Autismo pelo Instituto Superior Sinapses (Polo RJ) Saquarema, Del Castilho e Mesquita no curso de pós graduação em Psicopedagogia e Neuropsicopedagogia. Pesquisadora independente da pedagogia de Waldorf e Saúde Mental. Orienta o Programa Educacional Individualizado em Instituição Escolar (PEI). São objetivos sociais, acadêmicos e comportamentais que precisam ser adaptados para o aluno.
11-07-2019 |

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