Os impactos positivos e negativos do ensino domiciliar no Brasil

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O homeschoolling, ensino domiciliar, doméstico ou ainda intrafamiliar, ocorre quando a família é o principal agente educador e as crianças não participam de nenhuma instituição formal de ensino. É uma modalidade que não está prevista no modelo educacional brasileiro. Na legislação, está previsto que a família tem o dever de matricular seus filhos na rede regular de ensino e o seu não cumprimento pode ser passível de aplicação do art. 246 do Código Penal, referente ao “abandono intelectual”.

Recentemente, este assunto passou a estar em voga e se tornou um projeto de lei, que, se aprovado, pode fazer com que 7,5 mil famílias brasileiras que já adotaram o ensino domiciliar saiam da ilegalidade.

Esta é uma modalidade que ocorre em vários países como Estados Unidos, Austrália, Japão, Nova Zelândia, Canadá, África do Sul, Reino Unido, entre outros, e ao longo dos anos tem aumentado o número de famílias que resolveram aderir a esta modalidade de ensino, devido a inúmeros fatores: segurança, diferenças ideológicas, crenças religiosas, etc.

Diante da discussão, é importante olhar para os possíveis benefícios ou dificuldades ao escolher esta modalidade.

Podemos elencar como alguns benefícios:

  • Fortalecimento do vínculo entre pais e filhos, caso o ensino não seja delegado exclusivamente a tutores;
  • Flexibilidade de horários;
  • Ambiente diferenciado para a aprendizagem.

 

Mas as famílias também podem encontrar muitas dificuldades nesta modalidade:

  • Dificuldade em organizar um currículo com os conteúdos e segui-lo;
  • Embora a socialização das crianças e adolescentes possa se dar em diversos ambientes, a escola é um espaço destinado a esta perspectiva e preparação para seu ingresso no “mundo”;
  • A interação entre pais e filhos pode ficar comprometida se a cobrança por parte dos pais for intensa;
  • Não ter estabelecido em detalhes como serão consideradas as avaliações do processo de aprendizado.

 

Como educadora e mãe, entendo a escola como o melhor espaço de aprendizagem não só de conteúdos, mas de habilidades e competências emocionais e sociais. E que a família pode e deve ser mais participativa no processo de ensino não só escolhendo a instituição, mas principalmente estando mais próxima de seus filhos, conhecendo e participando ativamente do Projeto Político Pedagógico da Instituição através de reuniões, conselhos de pais, entre outros.

Experimentar estar mais ativo na educação dos filhos em uma instituição regular pode ser um grande avaliador para entender se realmente a educação domiciliar é a melhor modalidade de ensino a ser escolhida.

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Mariza Baumbach

Mariza Baumbach

Mariza Baumbach é Gestora Escolar e Analista Comportamental na área de Desenvolvimento Humano. É formada em Pedagogia pela Universidade Veiga de Almeida, com pós-graduação em Gestão do Trabalho Pedagógico, pela Unigranrio. Atua há mais de 20 anos como diretora de escola. Possui também curso de especialização em Leadership and Coaching na OHIO University, e Professional e Self Coaching pelo Instituto Brasileiro de Coaching (IBC). É palestrante e escritora. Fala sobre diversos assuntos relacionados à educação, evolução das competências e carreira.
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27-05-2019 |

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