Reciclagem Neuronal: ler e escrever

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Nos anos 70, surgiu uma teoria segundo a qual aprender a ler seria tão fácil e natural quanto aprender a falar e que a diferença estaria nos sinais: na fala, os sinais seriam sonoros, enquanto na escrita seriam visuais e escritos.

Mais especificamente, assim como ocorre com a aquisição da fala, na aprendizagem da leitura e da escrita, as crianças se empenham para dar ou buscar sentido desde que o contexto seja interessante e significativo.

De modo similar, a linguista Ken Goodman, nos anos 80, lembra que o uso da leitura e da escrita em contexto com significado é algo simples e natural.

Alguns especialistas ressaltam que crianças em ambiente sem instrução demandam mais tempo e esforço no processo de ler e escrever. A base dessa ideia é bem simples: o fato de que, enquanto falar é um processo natural, a leitura e a escrita são processos culturais, portanto aprendidos.

Como afirma a neurocientista Stanislas Dehaene, já que a escrita surgiu entre os babilônios há aproximadamente 5.400 anos, o alfabeto não tem mais de 3.800 anos.

Nossa linguagem estava programada para uma tradição oral, o cérebro teve de se adaptar para acolher e processar essa invenção cultural e visual que é a escrita.

A esse processo de adaptação, chamamos de reciclagem neuronal, em que circuitos cerebrais, relacionados à linguagem e à visão, se adaptaram para outro fim: a leitura e a escrita. Ou seja, enquanto ouvir e falar são aspectos inatos, ler e escrever são invenções culturais, aprendidas, as quais demandaram uma readaptação cerebral para a aprendizagem.

 

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Regina Marques

Regina Marques

Regina Marques Gonçalves é carioca, pedagoga, orientadora educacional em instituição escolar. Trabalha na área de educação a trinta e dois anos. Neuropedagoga, pós graduada em neurociência pela ( UCAM). Conhece os mecanismos do sistema nervoso central (SNC) e suas funções e conexões cerebrais na biologia do aprendizado do aluno. Especialista em (TEA) ou seja pós graduada em Transtorno do Espectro do Autismo pela (CENSUPERG). Ministra aula sobre a disciplina: Biologia cerebral e Autismo pelo Instituto Superior Sinapses (Polo RJ) Saquarema, Del Castilho e Mesquita no curso de pós graduação em Psicopedagogia e Neuropsicopedagogia. Pesquisadora independente da pedagogia de Waldorf e Saúde Mental. Orienta o Programa Educacional Individualizado em Instituição Escolar (PEI). São objetivos sociais, acadêmicos e comportamentais que precisam ser adaptados para o aluno.
16-04-2018 |

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