Outubro Rosa: sobre a importância do autoexame

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O câncer de mama é a neoplasia maligna que mais atinge as mulheres, depois do câncer de pele. Seus casos têm aumentado cada vez mais, principalmente em mulheres que passaram dos 35 anos. Daí a grande importância do autoexame das mamas para uma intervenção precoce de bom prognóstico.

O impacto psicológico que essa doença traz repercute de forma significativa na vida da paciente. O diagnóstico é vivenciado com intensa angústia, não apenas pela paciente, mas também por seus familiares.

A partir do momento que a mulher descobre um nódulo em sua mama, inicia-se um processo interno de muitas dúvidas, incertezas e medos. Quando, então, se confirma o diagnóstico, ela passa por várias fases de conflito psicológico, iniciado normalmente pela negação da doença, fase em que ela passa a procurar outros médicos que possam dar um parecer contrário, ou seja, que não confirmem a neoplasia; até a fase de aceitação da doença propriamente dita.

Infelizmente, esses conflitos emocionais não terminam com a cirurgia de retirada do tumor, mas vão além, com a quimioterapia, hormonioterapia e radioterapia, cada qual com suas peculiaridades.

Durante todas essas fases, é extremamente importante que a mulher tenha um bom suporte emocional de amigos e familiares. Muitas vezes, há também a necessidade de um psicólogo, com quem ela possa trabalhar suas angústias e seus lutos.

No processo de luto, a mulher entra em contato com esses conflitos internos que acabam se chocando com a nova realidade, no caso, o câncer de mama. Através dessa nova elaboração, ela então se adapta e reconstrói sua nova autoimagem. É um processo extremamente doloroso, de muita tristeza, com sintomatologia depressiva e ansiosa. Além disso, não é apenas com um único momento de luto que essa mulher tem que lidar, mas com vários.

O primeiro deles é quando há a possibilidade daquele nódulo ser câncer. É um choque para essa mulher perceber que pode fazer parte da estatística dessa doença tão amedrontadora.

O segundo é quando acontece o diagnóstico de fato. A mulher não acredita que isso está acontecendo com ela e tende a negar a doença, aumentando o sofrimento. Quando finalmente acontece a aceitação, ela tem que elaborar mais um luto, o da mastectomia (quando ocorre a retirada da mama total ou parcial). São muitas dúvidas e incertezas acerca do procedimento cirúrgico e das expectativas do pós. O quarto luto tem a ver com a perda da autoimagem dessa mulher, que se olha no espelho e não se reconhece, se sente inferior pela ausência de um dos seios, sente que perdeu sua feminilidade, sua identidade. E, por fim, ainda há as implicações dos tratamentos de quimioterapia, hormonioterapia e radioterapia. Dúvidas, por exemplo, sobre como lidar com a alopécia (perda dos cabelos), entre outros efeitos colaterais que podem surgir no tratamento.
A reconstrução da mama vem como um alento para a autoestima e autoimagem dessas mulheres. Que a partir de agora poderão sonhar e ter a certeza de que terão seus seios novamente, resgatando sua feminilidade. Terão também a certeza de que a mutilação ficou para trás e se sentirão mais confortáveis ao se relacionarem afetiva e sexualmente com seus companheiros, com mais autoconfiança. A reconstrução da mama é como um marco em suas vidas, atestando sua imensa coragem de ter ultrapassado a doença com muita dignidade.

 

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Carolina Veras

Carolina Veras

Especialista em Terapia Cognitivo Comportamental (FBTC) Especialista em Neuropsicologia (Santa Casa de Misericórdia-RJ) Membro da Sociedade Brasileira de Neuropsicologia Membro do Grupo de Pesquisa e Desenvolvimento em Neuropsicologia PUC-Rio
18-10-2017 |

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