Look da semana – #GordaPode: Perdendo o medo da palavra “gorda”

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Maíra 19_7 - interno

Quantas vezes você já ouviu alguém usar (ou usou, você mesmo) a palavra “gorda” como um xingamento? Quantas vezes elogiou alguém por ter emagrecido? Quantas vezes associou a magreza à ideia de beleza, sucesso, saúde? Quantas vezes associou a gordura ao fracasso, à feiura e ao desleixo?

Sim, foram muitas vezes. A mídia faz questão de nos dizer, diariamente, que o ideal é ter um corpo magro. Só assim você pode ser saudável, só assim pode ser bonito, só assim pode ser amado, desejado, respeitado. É claro que produzir mulheres inseguras com os próprios corpos é vantajoso: o exorbitante lucro da indústria do emagrecimento é construído sobre a nossa eterna vontade de comprar produtos que emagreçam, pagar por dietas milagrosas, consumir cirurgias plásticas – em suma, mudar o nosso corpo de forma que ele se encaixe no padrão.

Mas o padrão de beleza – vale sempre lembrar – não passa de uma miragem. Ilusão vendida para nos manter na corrida com a esperança de alcançar o inalcançável. Mesmo depois de todas as dietas milagrosas, as cirurgias, os produtos, os cosméticos, os remédios: o corpo que você encontra no espelho ainda vai estar a quilômetros de distância do corpo cheio de Photoshop que você encontra nas capas de revista.

Tempos atrás, ouvi uma frase que dizem ser do Kurt Cobain e que me marcou muito: “Querer ser outra pessoa é um desperdício da pessoa que você é”. Da mesma forma, desejar ter outro corpo é um desperdício do corpo que você tem – com todas as suas peculiaridades, potencialidades e beleza própria. Nenhum corpo é igual a outro. Assim como nenhum rosto é igual a outro. Se nós somos tão incrivelmente únicos, então por que insistir nessa tentativa de se modificar para caber em um padrão estipulado?

O processo de autoaceitação é um processo diário e contínuo, não acontece da noite para o dia. Mas um bom pontapé inicial é começar a naturalizar a palavra “gorda”. Tratá-la pelo que ela de fato é. Uma característica como qualquer outra. Assim como “alta” não é xingamento, por que “gorda” deveria ser? Em vez de usar os eufemismos “gordinha”, “plus size”, “forte”, “grande”, “acima do peso” ou outras tantas possibilidades de fugir do termo teoricamente ofensivo, que tal abraçar a palavra “gorda” e parar de ter medo dela? Que tal parar de tentar ser o que os outros querem que a gente seja, e finalmente prestar atenção em quem a gente de fato é?

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Look: Saia longa Renner; blusa estampada Leader; bolsa amarela Ana Lu Bolsas & Acessórios; mocassim rosa C&A; anéis Dona Firula; outros acessórios de acervo pessoal; colete jeans herdado de família e customizado.

 

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Maíra Ferreira

Maíra Ferreira

Maíra Ferreira é formada em Letras pela UFRJ, mestranda em Teoria Literária pela mesma instituição e atua como revisora e editora da Utilità. Publicou seu primeiro livro de poemas – denominado A primeira morte – pela Oficina Raquel e edita a revista digital Oceânica, focada na publicação da poesia produzida por mulheres. Posta looks plus size no Instagram (@mairacomacento) e também escreve sobre relacionamentos, feminismo e vida em seu blog: http://mairacomacento.com.br

 
20-07-2017 |

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