TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade) e suas implicações

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Photo credit: Lupuca via Visual Hunt /  CC BY-SA

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TDAH é um transtorno neurobiológico de origem genética, caracterizado por três comportamentos excessivos: déficit de atenção, impulsividade e hiperatividade. Essas características podem se manifestar juntas, mas o mais comum é encontrar uma ou duas que se destacam na criança e a acompanha até a vida adulta.

A criança TDAH é inteligente, criativa e intuitiva, mas não consegue desenvolver todo seu potencial em função do transtorno e, se não for bem acompanhada pelos pais e pela escola, poderá ficar com lacunas em habilidades cognitivas, conteúdos escolares e baixa autoestima por conta das experiências de fracassos vivenciadas.

 

Desatenção

Ela desvia facilmente sua atenção do que está fazendo, quando recebe um pequeno estímulo. O lápis do colega que cai no chão é suficiente para interromper uma leitura ou uma atividade. Com muita frequência, é desorganizada, tende a perder objetos (lápis, canetas, papéis etc.)

 

Impulsividade

Impulso sem filtro, podemos imaginar quanto sofrimento, culpa, angústia e cansaço esse comportamento pode ocasionar nos relacionamentos cotidianos dessa criança. A criança TDAH costuma dizer o que lhe vem à cabeça, envolve-se em brincadeiras perigosas, intercepta conversas, responde o que não lhe é perguntado e isso pode render-lhe rótulos desagradáveis como “mal educada”, ”má”, ”grosseira” ”agressiva”, ” irresponsável”, “egoísta”, etc. E é claro que isso será um dos fatores de grande influência na formação de uma autoestima cheia de ”lacunas”. É muito comum, na vida adulta, apresentar problemas de autoestima e este é o maior de todos os desafios em seu tratamento: a reconstrução dessa função psíquica que constitui o espelho da própria personalidade. Se o comportamento da criança TDAH não for compreendido e bem administrado por ela própria e pelas pessoas com as quais ela convive, possivelmente terá consequências como: descontrole alimentar, uso de drogas, gastos demasiados, jogos, tagarelice incontrolável, etc.

 

Hiperatividade

Nem toda criança TDAH apresenta o sintoma de hiperatividade física, é mais comum em meninos do que em meninas. É fácil identificar a hiperatividade física em uma criança TDAH, pois ela não consegue ficar sentada por muito tempo, mexe com o corpo, balança as pernas, esbarra nos móveis. Com frequência, é rotulada de  “desastrada”, “elétrica”, pois suas atividades físicas são excessivas se comparadas com as de crianças da mesma faixa etária.

 

Algumas orientações aos pais!

O transtorno TDAH não é justificativa para uma criança ir mal na escola ou não aprender, sabemos que o processo demanda muito mais empenho da criança, dos pais, da escola e do profissional de apoio técnico.

 

Evite o reforço negativo

Críticas, castigos, punições, como reação a todo comportamento negativo e inadequado, fazem com que o comportamento negativo aumente, afinal, é só assim que a criança se faz percebida. Use palavras afetuosas, elogios e reconhecimento por comportamentos positivos no momento exato em que ocorre o comportamento correto. Esse tipo de reforço faz com que a criança se empenhe nesse padrão de comportamento positivo para continuar sendo notada, reconhecida e elogiada, por isso, reforce o que há de melhor na criança.

 

Algumas regras para o dia a dia

Ensine a criança a não interromper as suas atividades, incentive-a a finalizar tudo aquilo que começa. Estabeleça uma rotina diária clara e consistente: hora de almoço, de jantar, de dormir, hora de fazer o  dever de casa, por exemplo. Use um mural para fixar lembretes, listas de coisas a fazer, calendário de provas, algumas regras que foram combinadas e promessa de prêmio quando for o caso. Certifique-se que a criança entendeu o que foi solicitado, peça para que ela repita o que foi pedido ou ensinado.

 

Nos estudos

Escolha cuidadosamente a escola e a professora para que a criança possa obter sucesso no processo de ensino-aprendizagem. Não sobrecarregue a criança com excesso de atividades extracurriculares. Todas as tarefas devem ser subdivididas em tarefas menores que possam ser realizadas mais facilmente e em menor tempo. Nenhuma atividade que requeira concentração (estudo, deveres de casa) pode ser muito prolongada. Solicite que a criança sente na carteira da frente, próxima ao professor e, de preferência, próxima de um amiguinho que possa servir de apoio. Caso haja indicação de acompanhamento psicopedagógico, o mesmo deverá ocorrer em parceria com a escola. Criança, pais, escola e psicopedagogo precisam atuar em conjunto para o êxito escolar desta criança.

 

Lembre-se:

Procure profissionais habilitados para o diagnóstico, que deverá ser realizado em contexto multidisciplinar. Cuidado com a precipitação, tenha certeza de que o tratamento está sendo realizado por um profissional que realmente entende do assunto. Procure o máximo de informações possíveis sobre o TDAH: leia livros, faça cursos, faça contato com outros pais para dividir experiências bem e mal sucedidas. Lembre-se que seu filho(a) está sempre tentando corresponder às expectativas, mas às vezes não consegue. Seja otimista, paciente e persistente com seu filho. Não desanime diante dos possíveis obstáculos.

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Sônia Góes Caetano

Sônia Góes Caetano

Pedagoga e Psicopedagoga PUC/SP Time Center -  Recreio do Bandeirantes Fone (21) 99549-7993 / (11) 99699-2689
08-05-2017 |

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