Carta Aberta a Organização Mundial de Saúde

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Foi com grande pesar que li a publicação da Organização Mundial de Saúde em 12 de maio de 2016, na qual existe uma lista de recomendações para atletas e visitantes para o Rio de Janeiro, que estejam na cidade durante os Jogos Olímpicos, que tem por finalidade unificar as nações e reiterar que todos os seres humanos são iguais, independente de credo, cor, raça ou origem.  As orientações para a proteção contra os riscos de se contrair o Zika vírus vão desde só permanecer em ambientes refrigerados, sexo somente com proteção, e recomendação formal para não visitar áreas com saneamento deficiente, por serem áreas de maior proliferação do mosquito.  E daí eu me pergunto – e o povo Brasileiro, em especial o carioca, que reside nestas áreas? O que eles vão fazer? Não voltar para casa? Nós os cariocas somos cidadãos de segunda classe com os quais deve ser evitado contato, inclusive contato sexual? Mas, antes de qualquer coisa, vamos relembrar alguns fatos.

O vírus Zika chegou ao nosso país, provavelmente em 2013, trazido por turistas que vieram ao Brasil para a Copa das Confederações, muito provavelmente originário de Ilhas do Pacífico, com semelhança genética do vírus encontrado no Taiti. Até esta época, nós brasileiros convivíamos com outras desgraças, com a Dengue, a malária, mas não a Zika.  Esta foi-nos o legado da Copa das Confederações.

E se recordarmos mais na História do Brasil, vemos que foram os europeus, que trouxeram a tuberculose para o nosso país, através de seus religiosos que vieram com intuito de catequisar os índios, que viviam saudavelmente até terem contato com o bacilo da tuberculose e serem dizimados, literalmente dizimados, pelos bem intencionados europeus. Padre Manoel da Nóbrega descreveu em carta seu suplicio com a tuberculose, de escarros com sangue observados com temor pelas tímidas nativas, e o próprio Jose de Anchieta, espanhol de berço e já canonizado, portador de grave escoliose secundária a tuberculose óssea, Mal de Pott. E logo depois, a chegada de caravelas, de Sífilis e gonorreia. Todas abordaram em nossas lindas praias brasileiras trazidas por ilustres estrangeiros. E, não me lembro de reportos dos habitantes locais de terem convidados tais visitantes. Nem em Tupi, nem em Guarany.

E agora, o povo carioca, encontra-se em uma situação semelhante. Como faremos para nos proteger destes atletas e turistas, originários de toda a parte do mundo, que trarão consigo suas mazelas regionais, para adicionar a nossa tão grande lista de doenças tropicais. Como nós, cariocas, vamos fazer para nos protegermos de visitantes africanos que poderão vir infectados com Ebola, ainda em fase pré-clínica? Como fazer para nos proteger de visitantes ilustres e atletas asiáticos em fase pré-clínica de gripes aviárias, suínas de todo um novo zoológico a se desenvolver?  E como proteger a nossa população carioca de novas cepas de HIVs multirresistentes que chegarão de todas as partes do mundo?

Como proteger a nossa bela cidade das hordas de turistas mal-educados que invadiram o Rio durante a Copa, acamparam e largaram o seu esgoto em nossas praias e mais belas Avenidas? Lembro muito bem de milhares de turistas sul-americanos em seus trailers jogando seus esgotos a céu aberto em plena Copacabana. Então, como nós cariocas vamos nos proteger deste esgoto alheio?  Teremos mosquito a vontade proliferando em excrementos internacionais, por cerca de um mês. Como nos proteger da hepatite A alheia?

E daí vem a pergunta: Alguém perguntou aos cariocas se queríamos as Olimpíadas na nossa cidade? Alguém perguntou se queremos conviver novamente com a desordem, o barulho e a sujeira internacional? Alguém perguntou aos estudantes e professores cariocas se estariam dispostos a mudar as suas férias escolares? Alguém perguntou a algum carioca, se queriam conviver estes últimos anos com canteiros de obras nos quatro cantos da cidade, com o transito infernal? Qual será o legado para os cariocas desta Olimpíada? Qual será o vírus novo que vão nos trazer? Perguntaram aos cariocas se preferiam obras ou saúde? Aliás, quem foi mesmo que sugeriu a candidatura do Rio de Janeiro para as Olimpíadas? Será que era carioca nativo?

Então, exorto a todos os cariocas para manterem uma segura distancias dos estrangeiros, lembrem de lavar as mãos após contato com qualquer um não nativo, não mantenham contato sexual desprotegido com estrangeiro pois eles podem estar trazendo doenças novas, ainda desconhecidas e infectar nossas belíssimas jovens, mundialmente reconhecidas por sua beleza imortalizada em “Garota de Ipanema”. Cariocas, não se misturem com estrangeiros de menor beleza.

E mais ainda, cariocas de comunidades e vilas mais carentes, não deixem os estrangeiros entrarem em suas comunidades naqueles jipes que eles gostam de usar para fazer safaris em favelas cariocas, não se aproximem deles, e nem deixem que tirem fotos com vocês. Mantenham-se a distância e nada de beijinhos em nossas crianças.
E finalmente, moradores de todo o Rio de Janeiro, façam estoque de Água sanitária para limpar o local por onde os estrangeiros passarem, em especial as nossas privadas de banheiros de restaurantes e lugares turísticos, usem repelente a vontade e mantenham o seu corpo coberto, se possível encomendem burcas de fabricantes nacionais, pois os tecidos estrangeiros podem trazer insetos transmissores de doenças como a Peste, e se nada disto for possível, amigos cariocas, procurem abrigo em casas de parentes fora da cidade, mas em lugares seguros dentro do Brasil, cuja fauna e flora já conhecemos muito bem.

E para finalizar, uma pergunta importante a Organização Mundial de Saúde: quais serão as medidas que os cariocas terão que tomar para se proteger dos estrangeiros?

Selma da Costa Silva Merenlender
Médica, Carioca, e orgulhosa de ser brasileira.

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Selma Merenlender

Selma Merenlender

CRM 5248425-2 Graduada pela Escola de Medicina da FTESM em 1986. Diretora diretora técnica da Imunofluminense.
18-05-2016 |

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