Sífilis triplica o número de casos

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Foto: Veilton Küchler/ Divulgação/ Sesa-PR

Nos últimos seis anos, o número de casos de sífilis triplicou no Brasil, principalmente entre gestantes e recém nascidos, causando alarme nas autoridades de Saúde Pública. Diversos fatores contribuíram para o aumento de casos. O primeiro foi a dificuldade de se obter o medicamento ideal para o tratamento, a Penicilina Benzatina, a famosa Benzetacil, que esteve ausente do mercado por diversas vezes neste período, e chegou a ter sua produção suspensa.

Outro fator importante é a própria forma como a doença evolui no corpo humano. Logo após a contaminação, que é preferencialmente por via sexual, aparece uma pequena lesão na região genital masculina ou feminina, que pode passar desapercebida, pois parece com uma afta, ou pode estar localizada muito profundamente na vagina e não ser visível. Nesse momento, a bactéria que produz a doença, o Treponema Pallidum, está presente em grande quantidade na lesão, então é muito contagiosa. Chamamos isto de Cancro. Nessa fase, o tratamento adequado leva à cura da doença. Infelizmente, essa lesão desaparece sozinha, mesmo sem tratamento, e o doente acha que se curou do problema.

Após alguns meses, aparecerem lesões de pele avermelhadas, às vezes nas palmas das mãos e nas plantas dos pés, que parecem urticária, e o doente acaba tratando erroneamente como alergias. Tais lesões, chamadas de sífilis secundaria, também somem sozinhas num curto período de tempo. Até esse momento, a pessoa ainda contamina por relação sexual ou transfusão de sangue. Muitos anos depois, a doença pode atingir o cérebro, a medula ou os nervos periféricos, causando a sífilis terciaria, que pode causar convulsões, cegueiras, paralisias, surdez e outros. O tratamento está indicado em todas as fases da doença, mas, quanto mais cedo for tratada, menor o risco de contaminar outras pessoas, e menor a chance do doente ficar com sequelas.

O feto humano pode ser contaminado em qualquer momento da gestação e do parto, levando a problemas na sua formação, sérios distúrbios cerebrais e cardíacos, podendo chegar à morte. A sífilis é uma doença muito antiga, e matou diversos famosos, como Charles Baudelaire, Tolouse Lautrec, Oscar Wilde e Al Capone. Também se especula que a surdez do compositor Bethooven tenha sido causada por sífilis, e uma das hipóteses da morte do faraó menino Tutahnkamon tenha sido por alterações de sífilis congênita.

Então, atenção para lesões pequenas nas regiões genitais, que podem ser o primeiro indício  dessa doença tão difundida no mundo todo.

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Selma Merenlender

Selma Merenlender

CRM 5248425-2 Graduada pela Escola de Medicina da FTESM em 1986. Diretora diretora técnica da Imunofluminense.
17-03-2016 |

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