O marketing digital como ferramenta para músicos rumo ao estrelato

Vamos entender como podemos utilizar o marketing nas mídias digitais e aplicá-lo para potencializar as chances de sucesso no mundo da música

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Em primeiro lugar, é importante ressaltar que não existe uma fórmula pronta para o sucesso | Foto: Flickr

Nessa semana, ao conversar com alguns amigos na mais nova mesa de bar do séc XXI, o famoso WhatsApp, me deparei com uma discussão acerca da maneira “certa” de se trabalhar o marketing de alguém que aspire ser um artista de sucesso no mundo da música. Não satisfeito com a maneira como o assunto chegou ao fim (obviamente, sem nenhuma aproximação de uma conclusão), resolvi organizar, a partir dos conceitos que regem o marketing, uma linha natural que aumentasse as chances de sucesso.

Quando falamos sobre o tema de hoje, precisamos atentar para algumas ressalvas. Em primeiro lugar, não existe uma fórmula pronta para o sucesso (ou, pelo menos, não conheço e nem ouvi falar de ninguém que a tenha descoberto até hoje). Outro ponto importante é que o que é positivo e necessário para a construção de uma identidade artística no mundo da música para uma pessoa pode ser completamente diferente do que é positivo para outra. Portanto, vamos traçar alguns argumentos que, através de um raciocínio lógico (e devidamente embasado), tendem a aumentar as chances de atingir o objetivo em questão; reconhecimento, identificação e sucesso no mundo artístico.

Para esse tipo de investida, vamos focar em destrinchar um dos quatros P’s de Philip Kotler, o pai do marketing, que é o de “Promotion”, que – em uma tradução livre e mais abrangente – é a “Comunicação”. A comunicação no marketing significa tudo aquilo que é transmitido para o público de interesse, o público-alvo. Ou seja, à nível de empresas, são pensadas propagandas em canais de veículos de comunicação, uma equipe de relações pública e assessoria de imprensa para transmissão das mensagens, venda pessoal e promoção de vendas.

Como um músico que almeja o sucesso pode não estar, necessariamente, vendendo algo físico (como um CD ou ingressos de shows), essa será focada em uma venda do conceito, ideia e imagem que se pretende transmitir. E partindo-se do princípio que esse mesmo músico não possua recursos ilimitados (leia-se: muita grana), a alternativa melhor apresentada e, atualmente, já intuitiva, é o investimento nas redes sociais.

Esse investimento, conforme afirma Michael Miller em The Ultimate Web Marketing Guide: “Mídias sociais são basicamente ferramentas para se passar informações em todas as direções (…) isso faz delas o marketing boca a boca do séc XXI”. Eureca! Era isso que estávamos procurando, Miller. Muito obrigado! Essa ferramenta vai nos permitir falar com aquele pessoal que nos importa e poderemos ter um baixo custo, ou até zero, para atingirmos nossos objetivos.

É necessário ser reconhecido nessas mídias e tornar aqueles que você deseja (isso pode significar 200 milhões de brasileiros ou 50 amigos da sua rua). Para sermos reconhecidos, precisamos seguir um padrão. Esse padrão pode ser transmitido com as seguintes sugestões:

Nome nas mídias: O nome escolhido é o seu cartão de visitas. A padronização do mesmo é extremamente importante. Se você se chamar “José” no Facebook e “Zezinho” no Instagram, por exemplo, as suas chances do seu público não ser capaz de fazer uma conexão entre as redes sociais aumenta. O nome artístico deve ser identificado em todos os meios dos quais o plano de carreira se mostra dependente. Mesmo ao observar que Drake, que está nas redes sociais como @champagnepapi, ou Rihanna com @badgalriri, não se apegue a esses exemplos até que você tenha a mesma popularidade dos mesmos.

Imagens de perfil: A foto do perfil nas redes sociais é a primeira impressão visual que o público terá. Essa imagem deve ser definida para todas as mídias digitais para evitar que os visitantes não se confundam sobre ser ou não a mesma pessoa. Ou seja, isso significa que a imagem deve ser capaz de passar toque artístico, nitidez de identificação do músico e qualidade de produção (afinal, o pensamento do público será que “se você não cuida da sua imagem, imagine do restante”). Não economize em ter uma foto em alta resolução e produzida para tal meio. Se possível, é interessante a utilização da imagem no dia de gravação daquele vídeo de mais sucesso ou da capa do seu atual CD.

Frequência ao alimentar de conteúdo: As pessoas que seguirem um determinado artista nas redes sociais podem vir a ter diversos motivos para tal. Mas todos eles estão ligados a um fato: elas querem receber conteúdo que lhes interesse. Se as postagens foram dissonantes, sem uma mínima frequência e sem padrão, logo o público perderá o interesse. Ou seja, desde pequenos vídeos tocando/cantando alguma música, fotos de trabalhos em andamento, links para downloads de músicas novas, agenda de shows e até a vida pessoal (se possível, voltada para a profissão de músico) serão aconselháveis para uma aproximação para/com o público.

Acredite em patrocinar publicações: Ao concluir algo relevante e mais raro que uma simples caminhada no bosque, vale cogitar a importância e necessidade de investir dinheiro na publicação. Ao saber que o Facebook, por exemplo, restringe as publicações a um número bem reduzido de pessoas que seguem suas páginas, algumas vezes o lançamento de clipes, músicas novas ou shows podem não ter a visibilidade desejada. Quando for feita uma produção especial, vale fazer um plano de divulgação para a mesma. Ou seja, invista o precioso dinheiro naquele clipe que tem tudo pra bombar e que pode garantir algum retorno. Observação: não faça isso sem segmentar muito bem para quem essas mensagens chegarão, escolhendo faixa etária, classe social, região, entre outros. Contrate um especialista em marketing, se julgar necessário.

Faça um plano de ações: Para cada música lançada, show fechado e clipe que vai ao ar, pense de maneira holística. A data para lançar esse clipe é adequada? Será que devo lançar um clipe sobre sofrer de amor em pleno mês de carnaval? Será que devo lançar quatro músicas ao mesmo tempo ou posso soltar essas produções aos poucos? Pensar estrategicamente é importantíssimo para saber por onde começar, quantas vezes postar em um mês, subdividir as categorias das postagens e a maneira com a qual pretende se comunicar com o público ao fazer isso.

Interaja com o público: As pessoas gostam de participar da vida dos artistas dos quais seguem. E, surpresa, elas gostam de ser respondidas. Quando receber um elogio, agradeça; quando for criticado, converse; quando for questionado, explique. O público ficará satisfeito de saber que tem espaço no tempo do músico que segue e que tem voz em suas mídias. É uma maneira de cativá-los e engajá-los.

Essas dicas não são, nem de longe, as principais ações de marketing a serem feitas. A maneira de se vestir, os locais a serem frequentados, entre outros milhares de etc, devem ser pensados estrategicamente também. Entretanto, ao executarmos algumas dessas ações acima, a tendência é que, ao menos nas mídias digitais, o nosso novo “mundo real”, já tenhamos uma cara mais profissional. E isso pode significar uma boa oportunidade de colhermos frutos mais à frente.

Para aqueles que pretendem seguir no mundo artístico, espero que esse artigo tenha ajudado e que, sobretudo, contribua com o crescimento profissional. Se você começar a seguir essas dicas, gostaria que voltasse aqui para compartilhar os desafios, dificuldades e frutos colhidos nessa caminhada. Boa sorte e um grande abraço!

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Renan Bernardes

Renan Bernardes

Renan Bernardes é CEO da Bernardes Press Assessoria de Comunicação e responsável pelo marketing e comunicação da Djagora University, no Senegal. Formado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Estácio de Sá, pós-graduado em Marketing e Comunicação Empresarial pela UVA , cursando mestrado no ISMAI, em Portugal e professor na Djagora University. Também é autor do livro de filosofia/motivacional, O Reino.
29-02-2016 |

Um comentário em “O marketing digital como ferramenta para músicos rumo ao estrelato

  1. tamirismourap disse:

    Parabéns pela publicação Renan. Vivi isso muito de perto, pois acompanhei a construção do novo marketing do pai da minha filha quando ele mudou o segmento, mas mantendo o estilo musical (Foi do Funk Sensurado ou “proibidao” para o Funk Melody). Novos gêneros tem surgido na nossa música de pouco tempo pra cá(Trazidos do exterior ou oriundos daqui). Alguns exemplos são o Deep House que virou uma febre a produção por brasileiros e o Arrocha, Sertanejo Universitário e por ai vai e acho muito pertinente a escolha deste assunto pois se temos gêneros novos, consequentemente temos novos artistas precisando de orientação para chegar ao topo e quando chegar não ter apenas 15min de fama. Quem não é adepto as redes hoje, dificilmente se sustenta nesse meio. Um grande abraço e parabéns mais uma vez!
    Tamiris.

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