Principais países produtores de cervejas

Confira e viaje pela história da bebida

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Cevada780

Foto: Flcikr

“Eu sou muito crente nas pessoas. Se houver verdade, podemos superar todas as crises nacionais. O principal são os fatos reais e a cerveja.” Abraham Lincoln

Continuando nossa jornada pelo universo das cervejas, chegamos aos principais países produtores. Nossa primeira parada: a República Tcheca; um pequeno país no centro da Europa, cuja capital é a maravilhosa cidade de Praga. Conhecida por seu cristal, sua porcelana, danças e comidas típicas, mas sobretudo por sua cerveja. Ah, vale lembrar que o escritor Franz Kafka e o compositor Antonín Dvorak também são de lá. A história da produção de cerveja na República Tcheca começa no século XIII. A primeira cervejaria foi construída em 1118, em Cerhenice, porém desde 1101 os maravilhosos lúpulos de Zatec (Saaz na Alemanha) e Ustek eram enviados a Hamburgo. É considerada a maior produtora de cerveja do mundo e talvez a primeira a usar o lúpulo. Costuma-se dizer que, aqui, a cerveja “PIVO” é mais barata que água. A cerveja é tão importante para os tchecos que é usada em spas e terapias com banhos relaxantes. Motivo de orgulho, pelo qual lutam para provar ter o primeiro museu da cerveja, o primeiro livro publicado sobre o tema e a primeira Pilsner.

O início da fermentação da cerveja em Plzeñ (em alemão, Pilsner), na então Boêmia, é do século XIV, logo após a fundação da cidade. Era começo do século XIX, quando os moradores se revoltaram com a má qualidade e durabilidade da cerveja local, hoje extinta. Ponto de partida para o sucesso das cervejas Lager. Chamadas no Brasil de cervejas de “baixa fermentação”, graças a uma tradução mal feita para o português, pois o termo vem do inglês “bottom fermented”, fermentação de fundo. Com as baixas temperaturas, os fermentos acumulam-se no fundo, resultando em uma cerveja mais clara e transparente.

Com os cidadãos sedentos por cerveja, os ricos da cidade resolveram construir uma cervejaria de excelência. Por imposição, essa cerveja deveria ser mais clara e leve, além de ter maior durabilidade. Nascia a primeira cerveja pilsner do planeta e a mais popular do mundo! Para isso, contrataram o mestre-cervejeiro alemão Josef Groll, para trabalhar na primeira cervejaria da cidade, a Bürgerliches Brauhaus, “Cervejaria dos Cidadãos”. Uma das características dessa nova cerveja era o uso de ingredientes da região – entre eles, o lúpulos Saaz. Desse dia em diante, os cidadãos se acalmaram e os protestos pararam. A cor da nova cerveja fascinou a todos, bem na época em que os copos de vidro/cristal estavam sendo produzidos. Antes, a cerveja era servida em potes de cerâmica, metal ou pedra. O nome da cervejaria mudou para Plznský Prazdoj, mais conhecida por seu nome alemão, Pilsner Urquel. Que bom, assim fica mais fácil de falar! A Pilsner Urquel é a mãe de todas as pilsens, com um padrão que é copiado em todo mundo. Mais que uma cerveja, é um mito!

Para não ter confusão: pilsen é estilo, e lager é gênero. Uma cerveja pilsner é sempre uma lager, mas nem toda lager é pilsner. A Pilsner que consumimos no Brasil, em latinhas ou garrafas, é na realidade “standard pilsner”, embora tenha em seu rótulo “cerveja tipo pilsner”. Em 1785, na Boêmia, ao sul da República Tcheca, nascia a cervejaria Budejovický Budvar (maior rival da Pilsner Urquel), que teve seu nome mudado para Budweiser, jeito alemão de dizer que a cerveja vem da cidade de Budvar – como os alemães chamam a localidade de Ceské Budejovice (para facilitar a exportação, uma vez que fica mais fácil a leitura). Qualquer semelhança não é mera coincidência.   Em 1876, a Anheuser-Busch (hoje, AB-InBev) registrou suas cervejas com o nome de Budweiser. Claro que isso deu início a uma longa batalha judicial. Um acordo foi selado e a Budweiser tcheca passou a ser vendida com o nome de Czechvar. Porém, em 2010, a AB-InBev perdeu seu último recurso, e foi impedida de usar o nome Budweiser na União Europeia. É também

em Ceské Budejovice que fica a cervejaria mais antiga da República Tcheca, a Budejovický Mestanský Pivovar, que produz a maravilhosa 1795, com seus rótulos colados à mão.

Todas essas cervejarias são abertas à visitação. Caso não queira ir tão longe, seguem algumas verdadeiras Pilsner que encontramos por aqui: Wäls Pilsen, Bamberg Camila Camila, 1795 e Pilsner Urquell.

“Ahoj”. Até logo!

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Giane Farias

Giane Farias

Sommelière formada pela Associação Brasileira de Sommeliers, especialista em vinhos franceses com certificado do Conseil Interproffesionel du Vin de Bordeaux. Trabalha há mais de 10 anos na área. Ministra cursos há alguns anos e coloca todo seu conhecimento em prática no Recreio. Recentemente, fez curso de cozinheira para poder unir as duas paixões.
17-11-2015 |

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