As novas famílias

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Novos tempos e novas formas de família | Foto: Flickr

 

Percebe-se, hoje em dia, uma mudança significativa no padrão das famílias. O tradicional “papai-mamãe-filhos” deu lugar a uma enorme variedade de famílias: casais homoafetivos, mães e pais solteiros com seus filhos, casais no segundo (ou terceiro) casamento cujos filhos são “os meus, os seus, os nossos”… Casa-se hoje por amor e não por conveniência ou arranjo social. O parceiro amoroso é escolhido, bem como “ter filhos” passa a ser também uma escolha: queremos filhos? Quantos? Quando?

Homens e mulheres investem em suas carreiras, muitas vezes postergando o casamento e a gravidez. Vemos, então, uma série de casais planejando ter filhos a partir dos 30-35 anos e se deparando com dificuldades para engravidar.

Os médicos afirmam que as chances de uma mulher engravidar diminuem com o avanço da idade, tendo uma queda bastante significativa a partir dos 36 anos. Mas, mesmo quando a medicina está a nossa favor e temos “todas” as chances, elas não passam de 50% (por exemplo, numa fertilização em vitro, temos, no máximo, este percentual de chance de gravidez).

E os outros 50%? Mesmo para aqueles que têm alguma crença religiosa e creditam a Deus, não podemos esquecero aspecto psicológico, muito importante no processo de gestação de um casal, família ou sujeito.

Isso porque a decisão de ter um filho muda completamente a vida daqueles que estão envolvidos neste projeto. É preciso abdicar de muitas coisas. Uma criança exige uma dedicação intensa e muda completamente a rotina dos pais e do casal. Facilmente viramos simplesmente (como se fosse fácil!) pais ou mães. É preciso tanta doação de amor, de tempo, etc, que com frequência nos anulamos para sermos bons pais e mães. E sabemos disso… Por isso, muitas mulheres que desejam intensamente ser mãe não conseguem engravidar, sem ter nenhum problema orgânico.

Ser mãe e pai também nos faz remeter à nossa história, às experiências (boas e ruins) que tivemos com nossos pais ou com aqueles que fizeram papel de pais em nossas vidas. Muitos traumas relativos a isso dificultam ou até mesmo impedem o processo de gestar uma vida.     Digo processo porque de fato é algo que leva tempo, que mexe com todos os envolvidos… São muitos desejos, medos, traumas que emergem. E isso para todos, mesmo para aqueles que tiveram filhos “sem desejar”.

E para lidarmos com esse complexo mundo da gravidez (ou da decisão de adotar uma criança), muitas vezes um acompanhamento psicológico desse casal, família ou sujeito se faz necessário ou é desejável.Alias, mesmo sabendo que sempre vamos errar como pais e mães, poder refletir sobre os aspectos psicológicos envolvidos na geração de uma vida e no processo de educação de uma criança é sempre muito importante e traz bons resultados para todos.

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Luana Ruff

Luana Ruff

Psicologa e psicanalista especialista em psicanálise pela UFF; mestre e doutora em teoria psicanalítica pela UFRJ; psicóloga da UFRJ; professora da pós graduação em teoria psicanalítica e prática clínica institucional da UVA; coordenadora do NITE - Nucleo Interdisciplinar de Tratamento e Estudos.
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12-11-2015 |

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