Você tem fome de que?

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Mais do que ncessidade, a alimentação está associada ao prazer |Foto: Flickr

 

“A gente não quer só comer, a gente quer prazer para aliviar a dor”, nos diz a música. Será mesmo? Comemos para viver ou vivemos para comer? Qual o papel da comida em nossas vidas?

Essas reflexões se fazem pertinentes porque sabemos que a obesidade é um problema para muitas pessoas hoje em dia. No entanto, mesmo aqueles que não são obesos, com frequência preocupam-se com a balança e sentem-se com uns “quilinhos a mais”. Emagrecer é a meta! Muitas vezes, a qualquer preço…

Mas por que isso acontece? É sabido que, se a comida ingerida for maior do que nosso gasto calórico, engordamos. A saída é simples: fechar a boca e fazer exercícios. Simples? Lógico que não. Por que?

Na verdade, a nossa relação com a comida vai muito além das necessidades físicas e data desde a mais tenra idade. Desde que nasce, o bebê já começa a perceber que mamar não só sacia o desconforto orgânico gerado pela fome como também traz uma série de sensações prazerosas: o contato com a mãe, o colo, o olhar da mãe, etc. Tudo isso faz com que nossas primeiras experiências de alimentação sejam experiências geradoras de prazer e que deixam marcas de prazer no nosso psiquismo. A partir daí – ou seja, desde sempre – buscamos mais do que saciar a fome todas as vezes que buscamos um alimento: visamos prazer. Mais do que isso, objetivamos repetir essa experiência prazerosa vivida com a mãe, num momento em que somos tão frágeis e vulneráveis.

E é por isso que, para muitas pessoas, emagrecer não é nada fácil… Porque não significa abrir mão temporariamente de determinados alimentos, significa abrir mão de um prazer, de uma sensação de segurança e conforto.

Vem daí as inúmeras tentativas frustradas de emagrecimento, as muitas “dietas da moda”… Para que consigamos uma perda de peso efetiva, é preciso entender o que a comida significa para cada pessoa, qual o peso disso em sua vida. Muitos comem quando estão nervosos, outros quando estão tristes, outros ainda quando estão ansiosos… São muitos os motivos.     Isso sem falar no sedentarismo, no stress e na falta de sono que também contribuem para o aumento de peso.

Outro ponto a ser considerado é a imagem que cada um tem de si e o incômodo que algumas pessoas relatam ao se sentirem olhadas – e desejadas – pelo outro.

A partir disso, faz-se necessário uma abordagem não só nutricional dessa problemática.Como são muitos os fatores que nos levam a engordar, precisamos dos saberes de vários especialistas – nutricionista, profissional de educação física, psicólogo e médico –combinados à história de vida de cada um, para que possamos conquistar a mudança de peso desejada e definitiva.

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Luana Ruff

Luana Ruff

Psicologa e psicanalista especialista em psicanálise pela UFF; mestre e doutora em teoria psicanalítica pela UFRJ; psicóloga da UFRJ; professora da pós graduação em teoria psicanalítica e prática clínica institucional da UVA; coordenadora do NITE - Nucleo Interdisciplinar de Tratamento e Estudos.
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14-10-2015 |

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