Autista – que cérebro é este?

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O autismo apresenta-se em diferentes graus, o diagnóstico precoce é o mais indicado | Foto: Divulgação

O que é autista? Transtorno do desenvolvimento neurológico,  termo correto –Transtorno  do Espectro Autista (TEA). Manifesta-se pelo conjunto de alteração de comportamento atribuído a um desenvolvimento neurológico comprometido. Envolve sempre as áreas da interação social, da comunicação e do comportamento em graus variáveis de severidade.

Existem diferentes graus de autismo.  O leve tem sintomas relacionados à dificuldade de comunicação, socialização e as “manias” estão presentes, porém de forma branda, quase imperceptíveis. A criança desenvolve a fala e se alfabetiza. Frequenta uma escola,  chega a concluir um curso universitário. Porém, apresenta dificuldade para compreender situações sociais mais complexas (como por exemplo, expressões faciais), não fazem leituras do meio social na compreensão de ironias, metáforas e piadas.  Demonstram ser ingênuos para a faixa etária e, muitas vezes, se comportam de maneira inapropriada em determinada situação sem se dar conta.

No autismo severo, a criança dificilmente adquire linguagem. Ela não se comunica com a fala, mas se comunica, todo autista se comunica de alguma forma. A criança não conseguirá entender metáforas, sentidos figurados ou expressões com duplo sentido. Sua fala estará repleta de frases e palavras repetidas de forma estereotipadas. A terapia da comunicação deverá trabalhar estes aspectos pragmáticos da linguagem e os autores têm se utilizado de várias formas de terapias: linguagem falada, linguagem de sinais, cartões com figuras e equipamentos computadorizados.

No cérebro, as células nervosas transmitem mensagens importantes que controlam as funções do corpo, desde o comportamento social até os movimentos. Estudos de imagens revelaram que as crianças autistas têm muitas fibras nervosas, mas elas não funcionam de maneira suficiente para facilitar a comunicação entre as várias partes do cérebro.

Os cientistas também descobriram irregularidades nas próprias estruturas do cérebro, como no corpo caloso, que facilita a comunicação entre os dois hemisférios do cérebro; na amígdala, que afeta o comportamento social e emocional; e no cerebelo, que está envolvido com as atividades motoras, o equilíbrio e a coordenação. Eles acreditam que essas anormalidades ocorrem durante o desenvolvimento pré-natal.

Além disso, os cientistas perceberam desequilíbrios nos neurotransmissores, substâncias químicas que ajudam as células nervosas a se comunicarem. Dois dos neurotransmissores que parecem ser afetados são a serotonina, que afeta emoção e comportamento, e o glutamato, que tem um papel na atividade dos neurônios. Juntas, essas alterações do cérebro podem ser responsáveis pelos comportamentos do autista.

A abordagem neurológica do autismo é complexa e ainda incompleta, pois sempre surgem novas descobertas e porque se entrecruzam diferentes fatores para suas causas.

Nos últimos anos, nota-se um crescimento considerável de casos de autismo.

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é diagnosticado quatro vezes mais frequentemente no sexo masculino do que no feminino. Em amostras clínicas, pessoas do sexo feminino têm mais propensão a apresentar deficiência intelectual concomitantes, sugerindo que meninas sem comprometimento intelectual concomitante ou atrasos da linguagem podem não ter o transtorno identificado, talvez devido à manifestação mais sutil das dificuldades sociais e de comunicação.

Em geral, ocorre entre 12 e 24 meses de idade, sendo distinguível dos raros casos de regressão do desenvolvimento que ocorrem após pelo menos dois anos de desenvolvimento normal.

As características comportamentais do transtorno do espectro autista tornam-se inicialmente evidentes na primeira infância, com alguns casos apresentando falta de interesse em interações sociais no primeiro ano de vida.

O autista precisa de grandes especialistas para seu desenvolvimento, como os psicólogos, terapeutas comportamentais e psicopedagogos para que essa ginástica cerebral ocorra, e quanto mais cedo melhor. Quanto mais cedo se identificar, melhores chances terá para a aquisição da linguagem e a busca de uma relação com o outro.

Sobre o autismo, muito ainda há que ser entendido. Mesmo com todos os avanços advindos da neurociência fazendo do autismo um tema polêmico, desafiador e instigante.

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Rosangela Paris

Rosangela Paris

Rosangela Paris/ Pedagoga. Especialização em Psicopedagogia Institucional e Clínica/ Neuropedagoga  - abpp - 1178. Especialização em Neurociência Aplicada a Aprendizagem pela UFRJ – Mediadora do TJRJ. Para atendimento clínico, contato: (21) 96925-2069.
05-03-2015 |

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