Seu Vizinho: Bebeto do Tetra

Morador e apaixonado pela Barra, o ex-craque de futebol campeão com o Brasil, tenta se consolidar na carreira política

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Nascido em Salvador, José Roberto Gama de Oliveira, o Bebeto, começou a carreira de jogador de futebol no Vitória, da Bahia, em 82. No ano seguinte, transferiu-se para o Flamengo e, pouco tempo depois, foi jogar pelo arquirrival Vasco, acirrando ainda mais a rivalidade entre os clubes cariocas. Na Europa, tornou-se ídolo máximo do Deportivo La Coruña, da Espanha. Conquistou títulos importantes por todos os clubes que atuou e, em 1994, alcançou a glória máxima no mundo da bola ao conquistar o Tetracampeonato Mundial pela Seleção Brasileira na Copa do Mundo dos EUA – formando uma dupla de ataque letal com o baixinho Romário.
Qual característica da Barra que mais lhe agrada?
Com certeza, a tranquilidade e a comodidade.

Chegou ao Rio de Janeiro em 1983. Desde então, mora na Barra? O que o fez optar pelo bairro?
Quando cheguei, morei na concentração do Flamengo, que era na Praça Seca. Eu me sentia muito sozinho, era muito jovem, e me transferiram para a concentração em São Conrado. Iisso foi até o meu irmão Nilton vir para o Rio e alugar um apartamento em Copacabana. Eu pegava ônibus para ir aos treinos. Quando a vida começou a melhorar financeiramente, eu comprei uma casa na Barra, em 1984, e resolvi trazer toda a família para morar comigo, após a morte do meu irmão Nilton. Desde então eu nunca mais saí da Barra.

Você foi campeão em todos os clubes pelos quais atuou. Faltou alguma coisa em sua carreira?
Graças a Deus, em todos os clubes em que atuei e na Seleção, eu consegui ganhar os títulos que todo jogador almeja.  A única coisa que faltou na minha carreira foi ter disputado uma Copa do Mundo em casa, mas em compensação, agora, eu participo da Copa deste ano nos bastidores, como membro voluntário do COL (Comitê Organizador Local), função pela qual não sou remunerado.

Eu abri mão de salário por amor ao meu país. O meu trabalho no COL é vistoriar os estádios, os gramados e orientar os trabalhadores no uso de equipamentos de segurança nas obras, mas sempre tenho a preocupação com o desperdício do dinheiro público, que sou contra. Cobro do governo transparência. Eu priorizo sempre o meu trabalho como deputado estadual no Rio, porque devo satisfação a quem me elegeu.

Você conseguiu a glória máxima em 1994 e sofreu com o vice-campeonato em 1998. Aquela derrota na final contra a França deixou cicatrizes? O que faltou àquele time na Copa da França?
Aquele episódio é para esquecer, sabe? O que aconteceu em 98 foi um imprevisto. Nós estávamos preocupados com a saúde do Ronaldo. Não posso dizer que o Brasil teria sido campeão se tudo tivesse sido diferente. Tínhamos chance, claro. Com certeza o jogo teria sido outro. Todos nós entramos em campo abatidos com o problema do Ronaldo. Não tenho cicatrizes, o meu saldo é positivo: disputei três Copas do Mundo. Fui vice em uma; e tetra, em 94. Afinal eram 20 anos sem conquistar o título e pude dar essa alegria ao povo brasileiro.

O Brasil é favorito à conquista da Copa do mundo de 2014? Quais seleções podem desbancar a Seleção Brasileira?
O Brasil é sempre favorito. Sempre destaco as seleções de tradição, como Alemanha, Itália e Argentina, mas os jogos serão difíceis. Não podemos esquecer a Espanha e o Uruguai. Essa é uma oportunidade única para o Brasil, que estará jogando em casa. A vez em que joguei aqui fui eleito o melhor jogador, artilheiro, na Copa América em 89.

Qual o melhor time que já jogou? Treinador faz diferença? O que tem a dizer sobre o Felipão?
Todos os times por onde passei eu sempre fui recebido com muito carinho, mas sou flamenguista, todos sabem. Não vou dizer que foi o melhor time onde joguei, mas é o meu time do coração. Tenho uma enorme saudade de quando joguei no Deportivo La Coruña. A Espanha me recebeu de braços abertos. Fui para lá para ficar três anos e fiquei cinco. É como se fosse a minha segunda casa.  Sou querido na Espanha até hoje.

O treinador ajuda, tendo uma boa visão de jogo, estimulando a equipe e trazendo a união para a equipe. O Felipão está fazendo um trabalho fantástico. Gosto muito dele e acredito que a família Scolari poderá ter um ótimo desempenho e ganhar essa Copa do Mundo.

Está gostando de trabalhar na política? Como você foi recebido pelos parlamentares? Notou alguma resistência pelo fato de ser um ex-jogador? Quais são seus novos projetos?
Sim, eu gosto. Entrei após o meu cunhado, Luiz Fernando Petra, ter sido assassinado. O irmão dele, Duda, que trabalha comigo, que me incentivou a ingressar na política, devido a minha imagem. Infelizmente, a política não tem o imediatismo do futebol. As coisas demoram a acontecer, como toda a burocracia para que um projeto de lei seja sancionado. Sempre tem um ou outro que olha para você meio atravessado, mas eu não ligo para nada disso. Tenho leis, projetos e indicações bacanas, como a Lei do Portador de Neurofibromatose que passou a ter os Direitos da Pessoa com Deficiência.

O “embala neném” que você criou em 1994 contra a Holanda para homenagear o nascimento de seu filho Matheus ganhou o mundo e até hoje é repetido por jogadores. O voleio impecável é sua marca registrada e, até hoje, jogadores tentam repeti-lo, mas esbarram na falta de plasticidade. Além disso, você casou cedo e nunca se envolveu em polêmicas extra-campo. É possível afirmar que Bebeto é um dos grandes ídolos do futebol brasileiro, exemplo para as futuras gerações?

O gesto do embala marcou, mas a minha intenção nem era essa, viu? Eu apenas queria marcar um gol e comemorá-lo em homenagem ao meu filho, Mattheus, que não pude ver nascer.  O gesto foi espontâneo, num movimento que era o que eu queria ter feito quando ele nasceu, e ‘pegou’ (risos).Já o voleio sempre foi a minha marca registrada, desde a época de moleque, lá na Bahia. O movimento era tão bonito, que acabei tendo que colocar uma prótese no meu quadril (risos). Fico feliz quando ouço das pessoas que elas me têm como um exemplo, mas nunca vislumbrei isso. Acho que fiz a minha história da melhor forma que pude. Casei cedo, construí a minha família, sempre fui caseiro, avesso à badalações, disciplinado e tranquilo. Sou muito abençoado por ter uma família linda e feliz pelas conquistas da minha vida.

Muito se fala que a Copa do Mundo irá “maquiar” os problemas do Brasil. Você concorda com isso?Não acho que há como maquiar os problemas, porque são visíveis, estão estampados em todos os jornais do mundo. Todos sabem que a nossa educação é deficiente, que a nossa saúde é precária e que o nosso transporte não é suficiente e de péssima qualidade. Precisam aplicar efetivamente a verba que já é destinada e repassada para essas áreas e que não apliquem só o mínimo, e, sim, um percentual compatível que traga melhorias. Se tem verba para construir estádios, tem que ter para construir escolas e hospitais.  Espero que a Copa deixe como legado para a nossa população as transformações sociais e econômicas compatíveis com a realidade de uma nação que quer figurar entre as mais importantes do mundo.

Rapidinhas:

Há quanto tempo mora na região?
Desde 1984.

Quais são as maiores vantagens de se morar na Barra?
A paz que tenho aqui, a tranquilidade.

Do que mais gosta no bairro?
Tenho tudo o que preciso por perto: praia, restaurantes, shoppings, mercados, a maioria dos meus amigos e a minha família. Só preciso sair daqui quando vou trabalhar.

Qual lugar da Barra tem vontade de visitar que ainda não teve oportunidade?
Já fui a todos.

Como faz para “driblar” o trânsito intenso da Barra?
Não faço. Eu sofro diariamente com os engarrafamentos quilométricos e fico horas e horas no trânsito. Já que a Alerj é no Centro e moro na Barra. Quando estou de folga, eu evito sair na hora do rush e uso muito a minha bicicleta.Como era a Barra quando chegou ao Rio e como é hoje? O bairro mudou para melhor?

Era um deserto. Não tinha tanta gente morando, eram poucas construções e não havia tanta variedade no comércio. Cresceu muito, vieram grandes empreendimentos e, com isso, o trânsito ficou ainda pior. Não houve um planejamento para acompanhar o crescimento da Barra. Espero que após a conclusão das obras do metrô o trânsito possa fluir melhor. O bairro melhorou, mas a segurança ainda precisa melhorar.Em seu tempo livre, que lugares da Barra que costuma frequentar?
Gosto de ir à praia para correr e andar de bicicleta, jogar tênis e de almoçar em bons restaurantes com a minha família.

O que faz para manter a forma física?
Eu não abro mão de me cuidar. Já estou com cinquentinha, né? (risos). Eu sempre pratico atividades físicas: pedalo, corro na praia, jogo vôlei e tênis. Claro, jogo a minha “pelada” regularmente com os amigos. O futebol é o que me desestressa.

A Barra perfeita para o Bebeto precisa ter…
Menos engarrafamento e mais segurança.

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Leandro Amaral
Jornalista, fotógrafo, carioca, apaixonado por esportes e pelo Vasco!
11-09-2014 |

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