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Plante árvores!

Mal chegou o verão e os termômetros não tardaram a registrar os suados 40 graus! E isso sem falar na sensação térmica, que, por vezes, é maior do que a temperatura registrada. De repente, a cena mais comum que vemos pelas ruas são pessoas ávidas pela sombra de uma árvore.

Outro dia mesmo percebi isso. O sol ardia, e um grupo de pessoas, num ponto de ônibus, disputava ‘um lugar à sombra’! E isso acontece de forma tão automática que tenho a impressão de que as pessoas, muitas vezes, nem se dão conta da importância das árvores e do valor de suas sombras neste calor escaldante do Rio de Janeiro.

Por outro lado, vincular a importância de uma árvore a este desconforto climático do verão carioca seria um desafeto com a natureza, já que seu valor é infinitamente maior do que a sombra que ela proporciona. Em tempos em que a expressão ‘aquecimento global’ é vista e analisada como um problema que transcende a questão da localidade, além de ser um assunto indispensável na pauta de todos os países, a importância das árvores e das florestas também tem sua dimensão globalmente ampliada.

A exemplo do Brasil, que comporta a maior parte da maior floresta do mundo, sabemos que cada quilômetro quadrado que é desmatado está sendo vigiado pelos ‘olhos do planeta’. Na época atual, não importa para o mundo onde se localiza uma floresta, mas a forma como ela está sendo tratada.

A divulgação do INPE, no final do 2º semestre de 2009, sobre a estimativa de redução de 45,7% do desmatamento da Amazônia em relação ao mesmo período de 2008 foi apresentada com orgulho ao país pelo Presidente da República e pela Ministra da Casa Civil. Mas, a meu ver, a notícia não chega a ser motivo para comemoração. É apenas um bom começo para pôr termo a uma percentagem crescente de desmatamento que vinha prevalecendo.

Um anúncio de reflorestamento em todas as áreas desmatadas é que seria motivo de comemoração, não o da diminuição do desmatamento. ‘Desmatar’ é um verbo que deve ser repudiado, assim como punidos devem ser os que ainda insistem em conjugá-lo.
Desestimular o desmatamento, com punições pecuniárias e programas educacionais, é uma ação que cabe ao governo. Desestimulá-lo com todas as formas de comunicação e conscientização possíveis é um dever de todos que usufruem da arte de viver. Aliás, é perceptível a total dissonância entre os significados dos verbos ‘desmatar’ e ‘viver’. Com este último, podemos combinar: semear, regar, conservar, plantar...

Se jogarmos a semente desta ideia em nossas mentes férteis, ‘plantar árvores’ será apenas a consequência disso. E com o tempo, é só colher os frutos.

 




Publicado na Revista Utilità Recreio em Janeiro/2010, edição #0.




    Márcia Tharakan
   
Formação: direito com especialização em direito ambiental
 
Atuação: Advogada e Ambientalista
 
Contato: marcinha_th@hotmail.com ou marciatharakan@yahoo.com.br
   



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