Em busca do amor próprio perdido

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maíra look semana 3 - interno

Sempre que falo sobre autoaceitação, algumas pessoas me perguntam como foi esse processo pra mim. O que eu respondo é: não é fácil, mas vai ficando menos difícil conforme a gente avança. Construir uma autoestima sólida – enquanto o mundo te diz, o tempo todo, que você não está suficientemente magra, suficientemente bonita, suficientemente adequada – é um exercício diário. Como diz uma amiga: a autoestima parece um músculo. Se a gente não exercitar constantemente, ela atrofia.

Então, como exercitar essa autoaceitação? Pensando no processo que eu vivi nos últimos anos, cheguei a algumas sugestões:

look maíra semana 3 - interno

1) Questione.

Isso vale para qualquer área, na verdade. Conheço muita gente que passa a vida inteira com aquela clássica postura do “é assim mesmo”, sem nunca parar para se questionar por que, afinal, as coisas são como são. Mas ninguém nasce com as cobranças e inseguranças que a gente tem na vida adulta, elas são adquiridas ao longo dos anos. Se você só consegue se gostar quando está magra, é porque nós somos frutos de uma sociedade que cultua a magreza e nos ensina diariamente que só cabendo em uma calça tamanho 38 é que vamos ser consideradas admiráveis e desejáveis. A partir do momento que você começa a questionar, muitas verdades deixam de ser absolutas e você percebe quão libertador é não se sujeitar às exigências dos outros. Que tal começar a se perguntar: “o que eu acharia bonito se ninguém tivesse me ensinado o que eu deveria achar bonito?”

 

2) Acostume-se a olhar pra você mesma.

Quantas vezes você se olha no espelho? Se fotografa? Quantas vezes para pra realmente reparar no seu corpo, sem automaticamente começar a se criticar por tudo que você acha que deveria estar melhor? Não dá para amar um corpo que você não conhece. Então, nada melhor do que se perceber, se cuidar para você mesma, se fotografar para você mesma, em suma, cultivar um relacionamento afetuoso com você mesma.

 

3) Cerque-se de boas referências.

Desde a hora em que a gente acorda até a hora em que a gente vai dormir, a carga de informação negativa que a gente recebe é imensa. São inúmeras propagandas dizendo que você precisa comprar isso para melhorar as estrias, comprar aquilo para diminuir as medidas, fazer plástica nas bochechas, no pescoço, na barriga; resumindo: são inúmeras propagandas dizendo que você não é o suficiente. Então, que tal encontrar referências que, ao contrário das outras, trazem uma mensagem de autoaceitação e amor próprio? Existem várias blogueiras, youtubers, instagrammers que falam sobre isso na internet – algumas plus size, outras não –, e acompanhá-las pode fazer uma grande diferença na forma como a gente enfrenta a carga diária de negatividade.

 

4) Faça o que te faz bem.

A autoestima é frequentemente associada à aparência, mas tem muito mais a ver com felicidade, com sentir que você está alinhada aos seus propósitos, fazendo aquilo que você gosta de fazer. Uma saída pode ser encontrar novos hobbies, tirar da gaveta aquela vontade antiga de fazer um curso de pintura, dar uma virada na vida profissional, passar mais tempo com os amigos, fazer trabalho voluntário, enfim, são muitas as possibilidades. O importante é estar cercado daquilo que faz os dias parecerem mais leves.

 

5) Entenda que você é muito mais do que o seu corpo.

Ao contrário do que o mundo nos diz constantemente, nós não somos o nosso corpo. Nem nenhum aspecto da nossa aparência. Ser ou não ser bonita não deveria ser o centro das nossas vidas, pelo contrário, a tentativa desenfreada de se encaixar no padrão pode ser um grande desperdício de energia e tempo que seriam muito mais bem aproveitados se fossem investidos em outras áreas. Nós temos uma infinidade de potenciais – muitos não explorados –, então por que apoiar o nosso amor próprio sobre a necessidade de se encaixar nos padrões irreais de beleza?

Conseguir se aceitar vivendo em um mundo que insistentemente nos faz acreditar que nós não somos o bastante é a luta de uma vida inteira. Um exercício diário e eterno. Mas que vale a pena a cada vez que você esbarra com você mesma no espelho e percebe que passou a encontrar ali uma aliada.

Look: vestido C&A, legging preta Renner, bota e acessórios acervo pessoal, camisa jeans herdada de família.

 

Fotografia: Pedriná Henning (Instagram: @pehenning.foto)

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Maíra Ferreira

Maíra Ferreira

Maíra Ferreira é formada em Letras pela UFRJ, mestranda em Teoria Literária pela mesma instituição e atua como revisora e editora da Utilità. Publicou seu primeiro livro de poemas – denominado A primeira morte – pela Oficina Raquel e edita a revista digital Oceânica, focada na publicação da poesia produzida por mulheres. Posta looks plus size no Instagram (@mairacomacento) e também escreve sobre relacionamentos, feminismo e vida em sua página no Medium: https://medium.com/@maraferreira_42080

 
04/08/2017 |

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